3 novembro 2023

AS ECONOMIAS ILÍCITAS NA MAIOR FLORESTA TROPICAL DO MUNDO

O PRIMEIRO RELATÓRIO DE INCIDÊNCIA DE AMAZON UNDERWORLD FOI ELABORADO EM PARCERIA COM A AMAZON WATCH E GI-TOC. O DOCUMENTO MOSTRA COMO AS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS E OS GRUPOS ARMADOS EXPANDIRAM SUA PRESENÇA, AUMENTARAM SEU CONTROLE POLÍTICO E DIVERSIFICARAM SUAS ATIVIDADES ECONÔMICAS NA AMAZÔNIA, GERANDO GRANDES DANOS AO MEIO AMBIENTE E ÀS COMUNIDADES AMAZÔNICAS.

As atividades criminosas na Amazônia, como o garimpo e o tráfico de drogas, impulsionam a violência e contribuem para o desmatamento e outras formas de degradação da maior floresta tropical do mundo e um regulador climático crucial. A expansão do crime organizado representa sérias ameaças ao ecossistema amazônico e àqueles que estão em melhor posição para defender seu bem-estar: as comunidades indígenas. À medida que a violência aumenta, povos indígenas e defensores da terra estão sendo mortos.

Água contaminada é despejada no rio Purué, onde mais de 100 dragas extraem ouro, causando enormes danos ambientais | Foto: Andrés Cardona

Apesar dessas ameaças crescentes, muitos povos e comunidades indígenas estão defendendo corajosamente seus territórios e meios de subsistência em toda a Amazônia. Sua resistência assume muitas formas: no Peru, os povos Wampis se organizam para proteger seus territórios e expulsar garimpeiros, enquanto os povos Kakataibo e Shipibo-Konibo organizam guardas indígenas para proteger contra invasões de plantações de coca. No Equador, a Federação Indígena do Napo mobiliza seus povos e pressiona o governo a agir contra a mineração ilegal. Enquanto isso, no Brasil, os Munduruku, Yanomami e Kayapó formaram uma aliança histórica para resistir aos garimpeiros ilegais em seus territórios. No entanto, esse trabalho vital de defesa ambiental tem um custo enorme. Organizações e líderes indígenas enfrentam ameaças constantes à sua vida e à de suas famílias, tornando-se cada vez mais alvos de violência e assassinatos ao se oporem às forças criminosas que destroem suas terras ancestrais.

Este novo relatório traz uma visão regional da questão, a fim de defender políticas eficazes e holísticas que coloquem os direitos indígenas no centro dos esforços para conter o crime organizado.

O relatório propõe a necessidade de políticas públicas abrangentes que vão além de respostas repressivas e esporádicas de aplicação da lei. Em vez disso, visam transformar as condições estruturais que impulsionam as atividades criminosas, reforçando as capacidades e a colaboração entre diferentes grupos de interesse estatais e não estatais para conter o crime organizado.