Em Las Claritas, no coração da principal região de mineração da Venezuela, próximo à fronteira do Brasil e da Guiana, começaram a surgir fissuras na aliança entre o crime organizado, o poder político e as forças de segurança. Uma operação das Forças Armadas realizada no começo de junho nas minas ocupadas por grupos armados, seguida pela suposta morte do líder do Tren de Aragua conhecido como “Niño Guerrero”, anunciada por Donald Trump, revela uma tentativa de reorganização do poder numa região estratégica devido às suas vastas reservas de ouro e ao seu papel nas novas negociações entre Caracas e Washington.


Foram três explosões que fizeram vibrar janelas, cortinas e portas, assustando os moradores. “O que está acontecendo?”, perguntou-se uma moradora de Las Claritas cuja casa fica no caminho para uma mina de ouro.
“Foi horrível, e as pessoas chegavam chorando, dizendo que a cidade havia sido bombardeada”, disse outra moradora.
— Houve mortos?
— Sim, e feridos também — respondeu a mulher.
No entanto, até o momento, nenhuma fonte oficial divulgou um balanço.
Na manhã da terça-feira, 9 de junho, helicópteros sobrevoaram em baixa altitude as minas de Las Claritas e do Quilômetro 88, no município de Sifontes, no estado de Bolívar. Enquanto militares avançavam em direção a acampamentos de garimpeiros e estruturas controladas por grupos armados, na cidade circulavam rumores de confrontos, operações policiais e explosões nas minas sob domínio do crime organizado.
Três dias depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou um vídeo na rede Truth Social. No centro da imagem aérea, vê-se uma construção erguida sobre o que antes era mata. Com telhado leve, feito de placas verdes do que parece ser zinco ondulado, um tanque de água de plástico e, ao lado, outra construção menor. Alguns segundos depois, tudo explode. Os escombros voam como pedacinhos de papel e são a única coisa visível entre a densa e alta coluna de fumaça preta que se eleva tão alto que chega à câmera.
Trump afirmou que o ataque havia matado Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, líder do Tren de Aragua, durante uma operação realizada em território venezuelano. Washington não especificou o local exato nem apresentou provas conclusivas sobre a morte do criminoso. O governo da Venezuela também não.
Durante anos, esses locais no sul da Venezuela operaram sob uma dinâmica em que organizações armadas, atores políticos e setores das forças de segurança coexistiam em torno do negócio do ouro.
Cinco meses após a captura de Nicolás Maduro pelas forças de segurança dos Estados Unidos — o que abriu as portas para o restabelecimento das relações entre o novo governo da presidente interina Delcy Rodríguez e o de Trump — e dois meses depois de Caracas promulgar uma nova lei de mineração que prevê o retorno do investimento estrangeiro, essa sequência de eventos sugere uma possível reorganização do poder no sul da Venezuela.
O movimento de tropas, a intervenção em locais dominados pelo “Sistema” e a suposta neutralização de Niño Guerrero parecem marcar o início de uma nova etapa na disputa pelo controle do que era conhecido como Arco Mineiro do Orinoco, uma zona definida em 2016, mas que já não aparece com esse nome na nova lei de mineração.

O QUE É LAS CLARITAS?
Las Claritas é um povoado de intensa atividade comercial, com trânsito constante de motos, construções simples de madeira, zinco e alvenaria, e uma rede elétrica caótica que fica sem energia por até 16 horas por dia. A rua principal está parcialmente asfaltada e as transversais são de terra vermelha. Nas lojas, em vez de caixas registradoras, há balanças para pesar o ouro, e o bolívar, como moeda, não existe. Ao contrário de outros locais de extração de ouro, algumas minas ficam a 10 minutos da vila.
Esse lugar é um dos maiores núcleos de mineração da Venezuela e do continente. Localizado no município de Sifontes, no sudeste do estado de Bolívar e apenas 250 quilômetros ao Norte da fronteira com o Brasil, Las Claritas fica próximo a Las Cristinas, uma das maiores jazidas de ouro do mundo (o quinto em 2016), com reservas comprovadas de 16,9 milhões de onças de ouro.
A profunda crise econômica, social e política pela qual a Venezuela vem passando nos últimos 15 anos transformou Las Claritas em um destino para pessoas de todas as partes da Venezuela, muitas delas profissionais qualificados transformados em mão de obra barata que buscam no ouro uma forma de sobreviver. Não são só eles que buscaram refúgio na localidade, mas também grupos armados venezuelanos e estrangeiros que, ao encontrarem no ouro uma fonte que sustenta suas atividades ilícitas, assumiram o controle da região.
Na paróquia de San Isidro, onde ficam Las Claritas e o Quilômetro 88, a população é de aproximadamente 15 mil pessoas, segundo o censo oficial, mas o número real chega a cerca de 70 mil, segundo fontes locais, se forem considerados os garimpeiros que trabalham na região como população flutuante.

Há mais de uma década, Las Claritas está sob o domínio da organização criminosa Sindicato de Juancho ou Sistema. E esse nome não é por acaso: o grupo armado funciona como um sistema de governança criminosa.
Por trás das jazidas de Las Cristinas, há enormes interesses corporativos. A mineradora canadense Crystallex perdeu seu contrato de exploração quando a Venezuela o rescindiu em 2011, e venceu uma arbitragem internacional contra o Estado venezuelano no valor de US$ 1,4 bilhão.
Outra empresa, a Gold Reserve, passou por um processo semelhante depois da expropriação de seu projeto Brisas em 2009 e conseguiu uma decisão favorável de US$ 740 milhões. As duas empresas já levam anos tentando receber os valores.
Após a prisão de Maduro, a Gold Reserve anunciou seu retorno e denunciou que suas reservas estavam sendo exploradas “com tecnologia chinesa sob o comando do Cartel de los Soles”. Ironicamente, no mesmo mês, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos modificou silenciosamente a acusação contra Maduro, reconhecendo que o Cartel de los Soles não era uma organização criminosa de verdade, mas sim um sistema de clientelismo e corrupção.
A Gold Reserve, junto com a Augusta Capital, pretende desenvolver agora o chamado projeto Siembra Minera, que reúne os campos de Brisas e Las Cristinas, que abrigam reservas de aproximadamente 52,2 milhões de onças de ouro.
O que está acontecendo em Las Claritas?
A localidade de Las Claritas e o Quilômetro 88 testemunharam, na semana passada, um intenso deslocamento da Força Armada Nacional Bolivariana e a mobilização de grupos armados organizados. Segundo alguns relatos, durante a operação também foram realizadas inspeções nas infraestruturas da Corporação Venezuelana de Mineração (CVM), sobrevoos de helicóptero e operações em acampamentos de garimpeiros em Las Cristinas.

Naquele momento, dizia-se que o objetivo da operação poderia ser a busca e a neutralização dos líderes do “pranato”, um sistema de liderança criminosa que surgiu nas prisões venezuelanas.
Antes da criação, em 2016, do Arco Mineiro do Orinoco — que ampliou a exploração de recursos minerais no sul —, as minas venezuelanas já estavam sob o domínio do crime organizado.
Em Sifontes, a figura do “Sistema” é liderada por Juan Gabriel Rivas Núñez, conhecido como “Juancho” ou “Negro Juancho”, e seu segundo no comando, “Humbertico”. Também está presente o Tren de Aragua, com Yohan José Romero, conhecido como “Johan Petrica”. Essa organização está ligada a outras atividades ilícitas (tráfico de drogas, de armas e exploração sexual), mas não há detalhes sobre o acordo com Juancho e Humbertico para se estabelecerem na região.
Moradores de Las Claritas entrevistados mencionam que ouviram falar da presença de Niño Guerrero na região há um ano. “Dizem que ele entrava e saía, mas nos últimos dias, há cerca de um mês, as pessoas comentavam que ele estava aqui”, disse uma das fontes, que pediu para não ser identificada.
Além disso, na última década, houve relatos de incursões do Exército de Libertação Nacional (ELN) da Colômbia no município de Sifontes, mas em Las Claritas quem dominava eram Juancho, Humbertico e Petrica.
Um dia antes da operação, na segunda-feira, 8 de junho, circularam nas redes sociais notícias falsas sobre uma possível incursão de militares americanos em locais de mineração, o que foi desmentido pelo governo e por organizações não governamentais.
A tensão aumentou significativamente na quarta-feira, 10 de junho. Após mais de 24 horas ininterruptas de presença militar, uma comissão formada por militares, membros do Ministério Público e representantes dos ministérios de Desenvolvimento Mineiro e Ecossocialismo exigiu a desocupação imediata das jazidas, alertando os garimpeiros de que qualquer possibilidade de receber apoio governamental ou de obter uma futura “legalização” de suas atividades estava estritamente condicionada ao abandono das minas.
Em protesto, moradores e garimpeiros bloquearam a entrada da vila na Troncal 10, a principal via que conecta a região e chega até Pacaraima, no Brasil, e exigiram o fim imediato da incursão armada e o respeito aos direitos humanos dos moradores.


Organizações da sociedade civil também se manifestaram. A SOS Orinoco afirmou que havia risco de se tratar de “uma intervenção centrada exclusivamente na força militar, sem uma abordagem integral”. O Programa Venezuelano de Educação Ação em Direitos Humanos (Provea) alertou sobre a possibilidade de ocorrerem prisões arbitrárias e execuções extrajudiciais, como — segundo a organização — seria o caso de Niño Guerrero.
“Os moradores da região em conflito não sentem que tenha sido combatida nenhuma estrutura do crime organizado nas minas. Eles disseram o seguinte: ‘Foi só uma cortina de fumaça, como sempre’. Estão se reorganizando (…) Todos os moradores que foram obrigados, de uma forma ou de outra, a conviver com os grupos criminosos vão assumir o controle para dar continuidade ao legado de seus chefes”.
GRUPOS ARMADOS EM LAS CLARITAS
A principal organização criminosa que atua na região é conhecida como “Sindicato de Las Claritas”, também chamada de “Sindicato de Juancho” ou, localmente, de “El Sistema”. Eles controlam as minas extorquindo mineiros e comerciantes, em troca de permitir que trabalhem e de lhes oferecer “proteção”.
Mas há outros grupos no município de Sifontes: a gangue do Negro Fabio em El Dorado, liderada por Fabio Enrique González Isaza; e a Organização R, também conhecida como 3R, em Tumeremo, um pouco mais ao Norte, liderada por Eduardo José Natera Balboa, apelidado de Run. Todas mantêm pactos de não agressão entre si.
Os líderes criminosos começaram a chegar aos municípios de El Callao, Sifontes e Roscio a partir de 2006, segundo informação do site El Pitazo.
Três fatores tornaram o negócio atraente: a alta nos preços do ouro; o desmantelamento da empresa estatal de mineração CVG Minerven, cujas instalações foram invadidas — em alguns casos por esses grupos armados — e demolidas; e a cumplicidade com funcionários do Estado. Assim, eles foram se estabelecendo e tomando posse das minas, recorrendo também à violência para isso.
A presença de grupos armados no estado de Bolívar, especialmente na região de minas, não é recente. Longe de ser uma perda acidental de controle por parte do Estado, a ocupação foi deliberadamente permitida e apoiada. Várias fontes afirmam que “El Sistema” mantém acordos e alianças com altos funcionários do governo e militares. Essas mesmas alianças teriam ajudado o grupo a obter armas e a vender o ouro extraído ilegalmente das minas que controlam.
Um relatório de janeiro de 2016 revelava que o governador Francisco Rangel Gómez e o general Julio César Fuentes Manzulli ofereceram proteção, impunidade e armamento aos líderes criminosos desde pelo menos 2006 e durante quase 14 anos.
E quem manda influencia o voto. “Aqui pressionam você a votar no PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela)”, afirmou uma moradora, que confirmou que o grupo armado participa das mobilizações dos garimpeiros rumo às seções eleitorais e garante que todos votem no partido do governo. O depoimento foi corroborado por outros moradores.
Em um escritório localizado nos fundos de um galpão de rinha de galos chamado “Trago Amargo”, de propriedade de Juancho, e que foi saqueado durante as operações em Las Claritas, havia um quadro de Simón Bolívar e Hugo Chávez e outras fotografias de figuras do chavismo: a atual presidente Delcy Rodríguez, o ministro do Interior, Justiça e Paz, Diosdado Cabello, os ex-ministros Tarek El Aissami e Carlos Osorio e o ex-governador Ángel Marcano.

Quem manda no Sistema?
Estas são as pessoas relacionadas à história do crime em Las Claritas.
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A MORTE DE NIÑO GUERRERO
Trump não deu datas, coordenadas nem qualquer outra explicação. Apenas comemorou o “sucesso” desse “ataque cinético”, “rápido e letal”, ao lado dos “amigos” da Venezuela. Foi o ministro da Guerra, Pete Hegseth, quem confirmou que Niño Guerrero foi morto na Venezuela, em “um complexo do Tren de Aragua”, “no começo desta semana”.
Uma hora depois, o governo da Venezuela também confirmou a notícia e informou que a morte ocorreu durante um “confronto” no sudeste de Bolívar, sem especificar a localização exata. O Ministério da Comunicação da Venezuela afirmou que a operação foi coordenada com os Estados Unidos, mas não forneceu detalhes.
De acordo com depoimentos coletados na região por Amazon Underworld, o único bombardeio e explosão de grande magnitude em Las Claritas ocorreu na terça-feira, 9 de junho, no setor chamado Brisas del Cuyuní.
Outras fontes locais afirmaram que vários chefes do crime organizado fugiram antes do ataque e colocaram em dúvida a morte de Niño Guerrero. “É muito necessário e urgente que haja provas convincentes”, disse uma fonte local ao Amazon Underworld.
Uma pessoa que concordou em falar com Amazon Underworld sob condição de anonimato afirmou ter ouvido mais de uma vez que Niño Guerrero costumava assistir a rinhas de galo em “Trago Amargo”, um galpão de propriedade de Juancho, onde eram realizadas reuniões com funcionários do governo e havia apostas de milhares de dólares e ouro.
LAS CLARITAS HOJE
Após o sobrevoo dos helicópteros, outra fase da operação teve início em terra: agentes com os rostos cobertos entraram em propriedades dos líderes mais conhecidos do grupo e realizaram buscas.
“Em seguida, os agentes disseram às pessoas para entrarem nas casas e levarem o que quisessem”, comentou uma mulher que afirma ter ouvido os agentes.
E foi o que aconteceu. Dezenas de pessoas entraram nas propriedades de Juancho, Petrica e Humbertico e levaram tudo o que puderam: roupas, eletrodomésticos e até animais. Até mesmo um sofisticado sistema de segurança foi desmontado.
Também houve destruição na rinha de galos “Trago Amargo”, mas uma cena chamou a atenção quando o Amazon Underworld visitou o local no domingo, 14 de junho: apesar da invasão e dos saques, o lugar onde ficavam os galos não foi mexido e os animais permaneciam ali.



Desde a manhã do sábado, 13 de junho, os moradores de Las Claritas relataram que, na área de “El Mecate”, estava sendo realizada uma reunião “de alto nível” com Héctor Silva, ministro do Desenvolvimento Mineiro Ecológico e presidente da Corporação Venezuelana de Mineração (CVM), na qual foram discutidas medidas para reorganizar a atividade de garimpo de ouro na região.
O governo também anunciou a criação de um Escritório de Atendimento ao Mineiro, descrito como “um espaço de articulação direta para dar resposta oportuna e eficaz às realidades do setor”. Isso faz parte de seu “compromisso” de “continuar transformando as zonas mineradoras, melhorando a qualidade de vida de seus habitantes e consolidando uma atividade soberana, segura e plenamente sustentável”.
Controlar o território para impulsionar os investimentos e aumentar em 30% a produção de ouro até 2026 foi a promessa feita pela presidente interina Delcy Rodríguez em janeiro. Isso foi respaldado pela reforma da Lei Orgânica de Minas, promulgada em 16 de abril de 2026, que flexibiliza a participação privada nas atividades mineradoras.
Na quarta-feira, 10 de junho, enquanto persistia a incerteza em Las Claritas, foi emitido um novo pacote de licenças gerais pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que atualiza as autorizações para operações energéticas e mineradoras venezuelanas. No que diz respeito ao setor de mineração, especificamente, foram emitidas as licenças 51B e 54A.
A licença 51B permite que entidades americanas estabelecidas realizem transações para extrair, comercializar e transportar minerais de origem venezuelana, incluindo o ouro. Já a licença 54A se concentra no fornecimento de equipamentos e suporte, permitindo que cidadãos americanos (ou a partir dos Estados Unidos) forneçam suprimentos e serviços para a operação de minas na Venezuela.


Até o momento, nenhuma autoridade venezuelana deu explicações detalhadas sobre a operação. Enquanto isso, reina a incerteza e permanece a possibilidade de que os líderes criminosos que fugiram retornem ou de que se desencadeie uma nova onda de violência.
“Eles eram muito vistos. Organizavam eventos para o Dia das Mães e o Dia das Crianças. Gostavam que as pessoas os vissem distribuindo presentes. Eles eram o governo por aqui. Porque os funcionários vinham aqui apenas para buscar seu ouro”, disse uma moradora do Quilômetro 88.
Um mineiro que esperava um ônibus em Las Claritas para voltar para sua casa, em Caicara del Orinoco, a cerca de 250 quilômetros dali, onde trabalhava como técnico eletricista, disse que, enquanto as operações continuarem e não se souber com certeza quem manda na cidade, ele não acredita que ali seja um lugar seguro. “O que se desencadeou foi um vandalismo. O que estamos fazendo agora é salvar nossas vidas. Como eu ficaria aqui em uma cidade onde não se sabe o que vai acontecer?”, comentou.
Em meio ao que, à primeira vista, pode parecer ser a queda do governo criminoso de fato em Las Claritas, há sinais de lealdade. Em várias ruas da cidade há grafites com a frase “no al saqueo” (“não aos saques”) e um protesto de cerca de 50 pessoas questionou a forma como a operação foi conduzida, defendendo a “gestão” do “Sistema”. “Eu realmente espero que eles voltem”, afirmou um homem que reconheceu ter tido uma ligação com a organização, sobretudo em atividades culturais e sociais.
Enquanto isso, o clima de tensão e a sombra do controle criminoso continuam presentes em Las Claritas. Um homem de moto que apareceu durante o protesto disse aos moradores: “Guardem seus celulares. Ouçam o que vou dizer e não me gravem. Hoje vocês não vão sair daqui. Fiquem aqui, não saiam para bloquear a rua nem nada. A ação é aqui”, explicou o homem. Todos obedeceram à ordem.